quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Quando o Cinema bebe da 'Arte'


Frida: Obra cinematográfica que detêm um poder estético deslumbrante que coloca em evidência a força, a revolução, a angústia e a irreverência da autora(Kalho)onde cada "pincelada" da sua vida é tratada com um pathos erudito.
Os quadros da Artista mexicana ganham vida e comunicam as suas vivências, desde o momento em que um autocarro a sepulta numa cama até ao momento em que a cama se torna a sua sepultura.
A fotografia e a música (world-Mexicana) são uma constante, sempre com uma sensibilidade muito própria e um carisma apaixonante, onde o espectador é convidado a partilhar este pequeno "mundo".





Caravaggio: Filme controverso aliás como a própria vida do artista, fiel ao trato do claro-escuro (chiaroscuro) uma das caracteristicas da pintura de Caravaggio que encontra forma e textura nesta pelicula do realizador britânico, Derek Jarman (1986).
O filme desenrola-se num ambiente sombrio e maravilhosamente captado figurando assim a própria visão de Caravvagio, da sua obra e do seu tempo. A referência à sexualidade do artista, à nudez, e à pintura ao som das velas é feita através de sucessivas analepses e prolepses, que no final produzem contrastes fortes, luz, cor e movimento, bem como, uma atmosfera doentia, chocante e dramática.



The Dreamers: O filme narra a história de um jovem (Matthew) que vai para Paris estudar francês, mas é no cinema que descobre a sua maior paixão e desafio.
No desenrolar da acção conhece dois irmãos Isabelle e Theo que partilham o seu fascinío pelo cinema clássico.
Num ambiente de rebeldia e revolução ( Maio 68), começa-se a formar um triângulo amoroso, através de jogos psicológicos e até doentios à volta da tématica de alguns clássico de cinema, levando à imitação e reprodução de certos excertos filmicos (como exemplo: os três jovens fazem uma visita supersónica ao museu do Louvre, inspirada no filme «Bande à Part» de Jean Luc Godard,1964).
De entre as várias divagações, alucinações, revivalismos de cinema, etc...uma sequência impõe-se, não só pelo seu erotismo e sentido estético(impulsionado pela música de fundo, The doors - i'm a spy)mas também, pela sua sensibilidade artística, na verdadeira acepção da palavra, ou seja, dando 'vida' a uma das mais belas estátuas da historia da Arte - Vénus de Milo, interpretada aqui por Eva Green.




KLMIT: Uma busca incessante pelo ideal de beleza e do amor, marcam o prefácio desta pelicula. O feminino é aqui elevado ao seu grau máximo de sensualidade, manifesto que se observa em toda a obra de Klimt.
John Malkovick retrata assim, uma personagem totalmente seduzida pelos encantos dos dourados (dos cabelos), dos vermelhos (dos lábios), motivos...que dão forma a um ser divinizado, a Mulher.
Palavras-chaves: Sensualidade, Modernidade, Apoteose da Mulher, Beleza.



Pollock: Filme poderoso em termos de análise do ser humano, retrata de forma proeminente um artista em plena ascensão da sua carreira que luta contra a maior das suas forças/fraquezas, a sua própria natureza.
Alcoolismo e criação de mãos dadas dão forma a uma pintura de acção(aliás, a action painting, característica da obra de Jackson Pollock), algo que a "fama" acabará por consumir...
Por entre os meandros da sua vida, Pollock atinge um estado pleno de criatividade e originalidade, que o levam à ribalta da "cena" nova iorquina, algo que o catapultará como ícone da Arte Americana e o deixará para sempre gravado na historiografia da Arte, como um dos artistas mais influentes da arte contemporânea.



BASQUIAT: Com ingredientes de poesia e criatividade, misturados com condimentos de humildade, se faz um artista. Jean Michel têm consciência do seu tempo, portanto torna-se inevitávelmente a vox populi, ou seja, torna-se a voz daqueles que não podem expressar a sua concepção da realidade, como nos refere Tarkovsky. Dum encontro com Andy Warhol (protagonizado aqui por David Bowie) , com o qual mais tarde irá partilhar de uma forte relação de amizade, este percebe de imediato que está perante um fenómeno de criatividade e de uma estética totalmente renovada e repensada, assim sendo após uma exposição no The Times Square Show a carreira artista de Basquiat é definitivamente consagrada pelos criticos de arte. Porém, nem sempre de fama, sucesso, estrelado se completa uma vida, e na cabeça de Samo (pseudónimo de Basquiat, uma abreviatura para "same old shit") esses não eram os seus objectivos, aliás nem sequer os queria, compreendia o mundo de forma onírica e despreocupada, algo que muitos aproveitaram e usaram...por entre a banda que tinha, os namoros efémeros e as 'mocas' com o amigo (Benicio del Toro ;) )Basquiat marcou o mundo da melhor maneira que soube com humildade, genialidade e uma espontaneidade muito própria, no final da sua vida mostrou um total desprezo pelo mundo, que o desiludia... e nesse sentido um cocktail de "speedball" (cocaina e heroina) encarregou-se de pagar as duas moedas para o Caronte.




Séraphine:Uma história simples, de uma ingenuidade apaixonante, que emerge o espectador numa viagem entre a genialidade e a loucura. Neste filme, somos acompanhados para um mundo muito modesto, secreto e a dada altura estranho/e de assombro. Séraphine (Yolande Moreau, brilhante interpretação) é-nos retratada como uma pastora apaixonada pelos pequenos encantos da natureza, algo que será o seu veículo condutor(de paz de alma, e tranquilidade/sanidade) e onde irá beber a sua inspiração e originalidade. Arte naif , retratada ao mais alto nível, onde o génio é aproveitado e a locura comensurada.



GUERNICA:Curta-Metragem que graduou Emir Kusturica, em 1978. No filme, um pai explica ao filho que os judeus são reconhecíveis pelo tamanho e forma dos seus narizes. O menino, numa tentativa pessoal de rebeliar-se contra a discriminação, apanha o álbum de família, corta os narizes e recompõe as imagens com outros que encontra, reconstruindo assim, a célebre pintura de Picasso. O impacto da obra e da sua mensagem, assímilada por uns olhos inocentes, chega-nos com muita sobriedade e introspecção.

sábado, 14 de novembro de 2009

terça-feira, 20 de outubro de 2009

Diário de Bordo

Viajar? Para viajar basta existir. Vou de dia para dia, como de estação
para estação,
no comboio do meu corpo, ou do meu destino, debruçado sobre as ruas e as
praças,
sobre os gestos e os rostos, sempre iguais e sempre diferentes, como,
afinal, as
paisagens são...

A vida é o que fazemos dela. As viagens são os viajantes. O que vemos, não
é o que vemos, senão o que somos.

Fernando Pessoa






















alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5394843709963929266" />








Fotografia: Hugo FOnseca